20º pagina [14/07/1014]

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20º pagina [14/07/1014]

Mensagem por Alan_Vitor em Ter Dez 29, 2015 8:45 pm





Após horas deitado, meus olhos começaram a se render ao sono. Eu finalmente poderia descansar, antes do meu duelo. Enquanto esboçava um sorriso simples, pude observar pelas frestas do teto de palha. O sol já havia nascido. Era hora de levantar.
Após sair da cama. Peguei algo para comer, algum mantimento ainda guardado de São Rafael. Agora estou aqui, escrevendo antes de ir procurar o tal especialista. Assim que retornar, relarei aqui todo o ocorrido... Como Sempre...
Acabei de chegar muito eufórico, antes de descansar ou fazer qualquer outra coisa, quero relatar meu dia!
Fui ao local que o velho me informou. Chegando lá, inicialmente não avistei ninguém. Andando um pouco escutei um barulho, seguindo o barulho fui levado para trás de uma colina, de lá avistei um homem ruivo que treinava. A principio, achei normal seu treino, até que me aproximando notei. Ele fazia golpes no ar muito rápido! E em vez de uma gládio como eu usava, ele empunhava uma zweihander em cada mão! E continuava golpeando sem parar. O chão ao seu redor formava um circulo molhado com seu suor. Ele continuava. Suas mãos apertavam as empunhaduras daquelas espadas com tanta força, que parecia que ele iria esmagá-las. E ele golpeava. Olhando com mais calma, notei que ele estava usando sempre golpes variados, nunca repetia os mesmo golpes, nem dava brechas ou aberturas. E ele atacava. Ele contava o ar com uma fúria, que não poderia ser classificado como eu fui pelo meu mestre. Ele não era um matador de moscas... Era um matador de dragões invisíveis!
Perante aquela cena de treinamento severo, só conseguir pronunciar uma frase. – Quem é este monstro!?  
Momentos depois ele parou, deixou as duas zweihanders caíram no chão, com a respiração ofegante ele mexia em sua mão. Notei que havia umas ataduras nelas, enquanto ele tirava as que usava e enrolava a mão direita com outro pano, me aproximei.
- Olá.
- Quem é? – Perguntou o homem, sem olhar para trás ou parar de continuar enfaixando a mão.
- Me chamo Allan Victor End, vim aqui desafiá-lo para um duelo de honra!
- Marloc me falou de você. Você é um grande especialista Allan?
- Não... Estou tentando me tornar um.
- Para que?
- Para entrar no exercito de São Salvador e você?
Ele ficou um minuto em silencio, então respondeu:
- Para entrar na ordem da confraria da folha fendida. A ordem de um amigo meu...
- Então, vamos ter logo este duelo?
- Não tenho tempo a perder. – O homem apontou para uma árvore ali próxima. – Se conseguir cortar aquela árvore com dois golpes, eu luto contra você.
- O que? Isto é impossível!
- Não é não.
Ele caminhou lentamente, até perto de uns objetos e sacou duas espadas estranhas. Elas eram curvadas para frente e tinham uns fios curtos saindo do seu pomo. Ele se aproximou de outra árvore, a observou pacificamente. Levantou sua mão direita e curvou seu braço para trás de sua cabeça e colocou sua mão esquerda em sua cintura. Com uma velocidade inacreditável ele golpeou o tronco da árvore, com a esquerda. Quase metade da espada entrou no tronco da árvore! Numa única puxada ele a retirou e num movimento duplo: tirou sua espada esquerda passando por cima de sua cabeça e desceu com a direita, quase chocou uma com a outra. Golpeou no mesmo ponto que a outra tinha acertado. A segunda espada correu pelo tronco da árvore, parando a uma mão perto do fim do tronco, após retirar ela, a árvore estalou e caiu a sua direita.
Fiquei pasmo com aquilo, ele era mesmo um homem!?
- Sua vez, naquela ali.
- Você não tem medo de quebrar suas espadas?
- Nhaan. Sou forjador, se quebrar eu faço outras.
Eu também era, mas não conseguiria fazer outros sabres destes. Será que eu deveria aceitar o desafio? Caminhei em direção a árvore, pensei se era mesmo a coisa certa a ser fazer. De repente minhas duas mãos começaram a ficar quentes, segurei meus sabres com mais força. Então um sentimento emanou em mim, aquela sensação perecia falar comigo, não em palavras, mas de uma maneira que me fazer acreditar, eu podia cortar aquela árvore com dois golpes! Levado por aquilo, avancei em direção a árvore, com os sabres próximos a minha cintura. Frente á frente com ela, eu cortei. Cortei com toda minha força, Na verdade, com uma força que eu nem sabia que tinha...
O silencio tomou conta do local, eu tinha medo de olhar para um dos lados e ver a lâmina do meu sabre partido, mas antes de qualquer movimento meu, ouvi um estalo na árvore e ela caiu para trás. Olhando para meus sabres vi que eles estavam intactos, e quentes.
- Você é mais forte do que parece, elfo. Ao duelo!
- Vamos lá!
- Vamos fazer uma luta seguida por cinco embates, ao fim de cada um trocamos de armas.
- Não tenho outras armas alem dos meus sabres...
- Tenho varias ali, pegue o que quiser.
Dito isso iniciamos o duelo! O duelo foi muito mais longo do que eu imaginava que seria. Lutamos com dual desigual, com dual de gládios, com nossas armas curvadas, com machados, e com combinações das armas citadas.
Apesar de ser apenas um homem, ele era forte como um anão e rápido como um elfo. Tive até duvidas no meio do combate, se ele era um humano ou um monstro... E com sua grande velocidade e força, ele venceu todos os embates.
- É... Apensar de não ter conseguido vencer um embate sequer, foi uma boa luta. – Eu disse enquanto estava sentado no chão, ofegante.
- Foi sim. – Respondeu o especialista, sentado no tronco da árvore que ele cortou. Com a aparência pacifica como se tivesse acabado de acordar, não de duelar...
- Você treina á muito tempo, não é?
- Não muito.
- Quem te ensinou a lutar assim? Todos esses golpes, esses métodos pesados de treino...
- Meu pai.
- E a forjar?
- Ele Também.
- Você tem muitas armas aqui, você quem forjou todas elas?
- A maioria.
- Você não e de falar muito, né?
- Falo o necessário.
Observando com mais calma, notei nele um colar com um símbolo peculiar em seu pescoço e entre as ataduras, um anel com uma jóia vermelha podia ser visto. Tirando isto, ele tinha uma aparência bem humilde.
- Entendi. Bom, vou indo. – Me levantei, mas antes de dar um passo me voltei a ele novamente. – Hey, você não me falou seu nome.
- Brian Nouah! Finalmente te encontramos. – Disse uma voz que vinha de trás de uma colina.
Virei-me e pude ver cinco homens se aproximando. Todos de cabelo preto, armas em mãos e tinha algo a mais neles, algo que os tornavam parecidos.
- Lohan, Lojan, Moran, Lofan e Bretan. Á Quanto não nos vemos.



- Pois é. Você estava brincando de aventureiro com seu papaizinho? – Disse o que estava mais a frente e no centro do bando, segurando uma espada e um escudo. – Ele estava te ensinando como ser um assassino como ele?
O especialista permaneceu calado.
- Ele estava te ensinando como matar os outros sem piedade!
- Meu pai não é um assassino impiedoso.
- ELE MATOU MEU PAI!
- Eu e meu pai não temos culpa, se seu pai era fraco. E você sabe que foi ele quem começou a briga.
- CALAAAADO!
- Calma irmão – Disse o homem a direita do que acabara de gritar. – Hoje teremos nossa vingança!
- Thordek Nouah matou nosso pai... – Disse outro mais a direita dos cinco. Enquanto limpava suas unhas com uma adaga. – Hoje vamos matar seu filho...
- Isto se ele é mesmo filho de Thordek Nouah. – Falou um na esquerda do que começou a falar tudo. Portava duas espadas.
- É mesmo! – Concordou um que estava no canto esquerdo e portando uma clava. – Nada me tira da cabeça que ele é um bastardozinho...
- Pessoal! – Disse pacificamente o especialista, enquanto se levantava. – Pra que tanta presa? De irem pro inferno!
Os cinco ficaram pasmos com o tom de voz calmo, porem, ameaçador de Brian. Mas em instantes, todos já estavam mal encarados de novo e em posição para iniciar a luta.
- As coisas vão ficar feias. – Disse o especialista. – Melhor ir, Allan.
Eu estava alisando meu sabre negro, quando Brian me disse para ir. Continuei e pensei: deveria mesmo fazer isto? A luta não era minha... Eram cinco oponentes... Ele era um monstro, ficaria bem... Eu estava cansado do duelo... Eu deveria...
-Não! Gritei dentro da minha cabeça – Eu não vou fugir e deixar ele só contra cinco!
Peguei meu outro sabre que estava a minha direita, me levantei e fui ao lado de Brian.
- O que está fazendo?
- Não posso abandonar alguém, que está prestes a ser covardemente atacado, por cinco!
- Se vai ajudá-lo, morrerá como ele! – Disse o que estava à frente do bando. – Não será como quando éramos crianças Brian...
- É uma pena acabar assim.
O que estava no meio e os dois á sua direita, foram para cima de Brian. Os outros dois da esquerda avançaram em minha direção! Não queria matar nenhum deles, muitos menos morrer. Então foquei em defender! Defendi todos os golpes desferidos pelos bandidos. Após alguns ataques, percebi que eles não eram tão rápidos, nem sincronizados. Me aproveitei disto fazendo ataques para desarmá-los. Consegui tirar uma espada do que estava de dual. Ele se enfureceu e começou a me atacar com tudo. Abriu diversas brechas, onde eu poderia facilmente golpeá-lo para matar, mas como não tinha esta intenção, a situação se complicou para mim e para piorar percebi: o que estava com a clava avançou dando um golpe mirando minha cintura, ao mesmo tempo que o outro dual, agora de uma espada só, me golpeava por cima.
Defendi o da clava com minha esquerda com tanta força, que meu sabre entrou dentro de sua clava! E defendi, defletindo, o golpe do dual para ir para a esquerda, com sorte ele golpeava seu irmão. Ele parou seu golpe. Analisando o momento, percebi estar com o sabre negro preso a minha esquerda e o sabre branco, levantado acima de minha cabeça curvado para a esquerda. Eu estava completamente exposto! Eles também. Porem, antes de qualquer reação, o barulho de uma lâmina penetrando na carne foi ouvida. Olhando para a direita, percebi que Brian conseguiu, mesmo lutando simultaneamente contra três, dar um passo para a esquerda e golpear a costela aberta do dual, que estava frente a frente comigo. No momento seguinte, retirou sua espada de lá e voltou á lutar contra os outros três, que por mais que tenham corrido, não conseguiram golpear Brian ou ajudar o irmão.
- Bretan! – Berrou o que estava com a clava ao meu lado. Depois puxou sua clava com força, quase me desarmou, mas as armas acabaram se soltaram uma da outra. Minha reação foi dar um passo para trás e aguardar.
Brian continuava lutando contra três numa velocidade incrível. Mesmo após o duro treinamento que ele tinha dito hoje mais cedo! Mesmo após nosso duelo!
Me voltei a frente e vi o que segurava a clava, agora com uma rachadura se levantar com uma expressão de fúria. O que estava com uma só espada estava caído no chão, uma mão na ferida e outra com a espada apontando para mim. O da clava atacou! Em vez de defender seu golpe, eu ataquei sua clava com minha direita, prendendo meu sabre a sua clava de novo. Virei meu braço e meu pulso para o lado, levando a clava dele para longe do corpo, então levantei meu sabre esquerdo. Ele está exposto... É só um bandidinho... Matá-lo iria ser uma boa ação... É só descer o sa...
- Não! – Gritei novamente em minha cabeça e golpeei com toda força o clava do meu oponente, a cortando perto de onde ele segurava.
Após isto ele deu um passo para trás ao lado do que estava caído. Olhava para o pedaço de madeira em sua mão. Atirou no chão e me fitou com um olhar de assombro. Fiquei em postura, como se estivesse prestes a avançar e golpeá-los , mas sem vontade de fazer-lo.
Em meio a duvidas do que fazer, o barulho da batalha foi silenciado, pelo som de algo sendo cortado com muita força e do som de algo cair ao chão. E rolar. Olhando para direita percebi todos parados, fitando a cabeça do que tinha chegado gritando com Brian rolar ao chão, e seu corpo que esguichava sangue pelo pescoço, caindo de frente aos seus irmãos.
- LOHAN! – Grito o que estava à direita do corpo.
- Chega! Essa vingança já foi longe de mais! – Falou o que eu tinha acabado de partir a clava. – Já perdemos nosso pai, Lohan, e se continuarmos aqui Bretan logo irá morrer também. Vamos embora irmãos.
- Calado seu covarde! – Disse o que estava ferido no chão. – Não me use como desculpa de sua covardia. O pai dele matou nosso pai!
- Chega Bretan. – Disse o que estava com duas adagas. – Lojan tem razão. Todos morrem um dia, e temos que aceitar que nosso pai procurou sua própria morte... Vamos embora.
O que estava com a clava pegou o ferido do chão, o levantou e o ajudou a caminhar. O que gritou com a decapitação de Lohan e o que estava com as adagas, pegaram o corpo do irmão, colocaram sua cabeça acima do seu tronco, um pegou pelos braços outro pelas pernas e o levaram. Largaram as suas armas lá.
- Não vou me esquecer disto Brian. – Disse Bretan, enquanto era carregado. – Também não vou me esquecer de você, especialista dos sabres preto e branco...
Poucos instantes depois, já haviam desaparecido por dentre as colinas.
- Obrigado. – Disse Brian.
- Tudo bem. Que bom que não houveram tantos mortos nessa batalha.
- É raro, achar alguém que lute por alguém que não conheça... Te devo uma.
- Poderia me pagar dizendo: Conhece outros especialistas que morem por aqui?
- Eu conhecia, mas ouvi falar que agora eles moram no ducado real. Porem estive fora das colinas por um tempo, podem haver novos especialistas por ai.
- Obrigado! Bem, vou indo.
Após escrever tanto, minhas mãos estão começando a doer, e minha barriga a roncar... Vou encerrar está carta com minhas duas ultimas duvidas do dia: Como eu cortei aquela arvore? E porque o irmão que usava adagas não ficou escondido, contornou a gente no meio da batalha por detrás das colinas e atirou suas adagas em nosso ponto cego, pelas nossas costas?



Sexta-feira, 14 de Julho de 1014.









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